Permacultura


A Permacultura é um termo que surge a partir do conceito de Permanent Culture, foi criada por Bill Mollison e David Holmgren há 30 anos e assenta num modelo de desenvolvimento através da organização e criação de habitats humanos em harmonia com a Natureza. Este conceito, não surgiu sem antecedentes. Há registo de que já se praticava agricultura sustentável, mas não o conceito de Permacultura

no seu todo pois este é composto por vários campos como se pode observar na imagem.

A Permacultura traduz uma filosofia de vida assente no respeito pela natureza, sustenta-se através de uma base agrícola sustentável e uma ética de uso do solo. A Permacultura reestrutura o meio ambiente, plantas, animais, construções e infra – estruturas (água, energia e comunicações). Todos estes elementos são tratados como um todo para que os sistemas sejam capazes de colmatar as próprias necessidades. É inspirado na observação das florestas profundas, na sabedoria contida nos sistemas tradicionais do mundo rural, no conhecimento científico moderno e na tecnologia. É trabalhar com a natureza e não contra ela.

Na agricultura moderna a terra é utilizada de forma constante e excessiva, sem que exista tempo para repouso e reposicionamento de matéria no solo. Assim, sendo a agricultura moderna sustentada por adubos, fertilizantes e químicos, acaba por ficar contaminada e por consequência contaminar também a água.

Quando as necessidades de um sistema não são alimentadas pelo mesmo, pagamos com a energia, a poluição e o consumo. Estes sistemas sustentáveis surgem como resposta às agressões do Homem ao meio ambiente e consequentemente a si próprio. Não se trata de métodos novos mas sim de um retorno a técnicas ancestrais articuladas com o conhecimento de descobertas científicas modernas:

“There are many opportunities to create systems that work from the elements and technologies that exist. Perhaps we should do nothing else for the next century but apply our knowledge. We already know how to build, maintain, and inhabit sustainable systems.” (Mollison & Slay 1997, p.2)

Este conceito envolve o planeamento, a implantação e a manutenção conscientes de ecossistemas produtivos que contenham em si a diversidade, a estabilidade e a resistência dos ecossistemas naturais. Este modus vivendi surge da integração harmoniosa entre as pessoas e a paisagem fornecendo, de forma sustentável, alimentação, energia e habitação, entre outras necessidades materiais e não materiais. A Permacultura não é um sistema especializado e único focado numa

determinada atividade, mas sim um método de integração global de vários componentes, tais como: agricultura, piscicultura, silvicultura, arquitetura, engenharia, paisagismo, ambiente, economia, sociologia, cultura, etc.

A Permacultura é também uma rede de pessoas e grupos que propagam as ideias desta cultura. Embora não seja amplamente reconhecida pelo meio académico e/ou apoiada pelo estado ou pelo sector empresarial, os permacultores têm contribuído para um futuro mais sustentável, através da reorganização das suas próprias vidas e consequentemente do seu trabalho. Desta forma, vão criando pequenas mudanças locais que influenciam directa e indirectamente os campos de desenvolvimento sustentável, a agricultura orgânica que usa as tecnologias mais apropriadas.

“The only ethical decision is to take responsibility for our own existence and that of our

children”(Mollison & Slay 1997, p.1)

A cooperação entre as pessoas é também uma das bases principais para manter a existência de qualquer sistema .

Bill Mollison resumiu três valores éticos básicos que estão intrinsecamente ligados entre si, sendo que os dois primeiros não sobrevivem um sem o outro:

– Cuidar da Terra – fazer com que os ecossistemas se mantenham vivos,

respeitando cada elemento que dele faz parte indo de um grão de areia ao homem.

– Cuidar das pessoas – este valor ético está interligado com o anterior pois não é possível cuidar bem das pessoas (começando por nós próprios) sem cuidarmos da terra e vice-versa. Assim, todos os seres humanos têm o dever de procurar e o direito de receber alimentação, abrigo, cuidados de saúde, amor, educação, trabalho, entre outras necessidades para que assim se possam manifestar como seres participativos no longo processo da Vida.

– Limites ao consumo – Isso requer repensar os valores, um replaneamento dos nossos hábitos e uma redefinição dos conceitos de qualidade de vida (Mollison & Slay 1997, pp.2,3).

Para elaborar um bom sistema de Permacultura existem algumas premissas: a primeira, exige que as leis e os princípios sejam adaptados a qualquer condição climatérica e cultural. A segunda tem a ver com as técnicas aplicadas, que podem mudar de clima e de cultura. Estes são os sistemas adaptáveis a qualquer sistema de Permacultura, em qualquer clima e qualquer escala.

– cada elemento construído: casa, piscina para peixes e aves, tem de estar

posicionada sempre em relação à outra construção de modo a existir apoio mútuo.

– cada elemento cumpre muitas funções. Por exemplo: Uma sebe de frutos silvestres providencia abrigo para pequenos animais, corta-vento, dá sombra e frutos, produz matéria orgânica, beleza paisagística, bio massa, etc.

– cada função importante é suportada por muitos elementos. A energia eléctrica pode provir da rede normal, mas deverá também provir, por exemplo, de painéis solares, turbinas eólicas, geradas por moinho de água, entre outros.

– planificação eficiente de energia para casas e comunidades (zonas e sectores)

– preferir o recurso a produtos biológicos

– reciclagem de energia no sistema (tanto energia humana como energia

combustível) (Mollison & Slay 1997, pp.2,3).

A energia entra no sistema, e das duas uma: ou fica ou escapa. O nosso trabalho como designers de Permacultura é prevenir a saída da energia do sistema antes que as necessidades do sistema sejam satisfeitas. Os sistemas estão constantemente a organizar-se e a criar depósitos complexos.

A planificação de um habitat, uma casa, prédio, bairro, cidade, uma horta, jardim, floresta, ou qualquer outra intervenção deverão ter em conta alguns princípios que regem a estabilidade e sustentabilidade do projeto. Estes princípios aplicam-se a

qualquer espaço independentemente da localização, tamanho ou aplicação e são linhas de bom senso que nos guiam na elaboração da nossa intervenção.

As energias que chegam ao nosso sistema são naturais e renováveis como a energia do sol, do vento, da chuva, água do mar.

2 respostas a Permacultura

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